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Aventurando na terra do JK

Setembro 25, 2007

O relógio marcava 8h da manhã do dia 19/07/2007. Acordei e terminei de arrumar as coisas, coloquei minha blusa do Brasil, afinal eu estava indo pro PAN, tomei café e logo depois o táxi chegou. Me despedi dos meus primos (que só conheci por causa dessa viagem) e lá fui eu e minha prima Elane em direção ao Aeroporto Juscelino Kubitschek (BSB).

O percurso demorou um bocado. Também minha prima mora em Ceilândia, cidade satélite de Brasília. Pegamos uma via, que até então não conhecia. DF-095, também chamada de Via Estrutural. Brasília tem tantas vias que eu me perdia fácil. No caminho, passei em frente da UNB. Tentei me distrair com a paisagem, porém era impossível. O nervosismo tomava conta do meu ser. Tava indo aventurar, encontrar alguém que não conhecia pessoalmente e…

Depois de uns 30 minutos ou mais, chegamos no aeroporto. A fila do check-in me assustou. Tava super preocupada! O meu vôo estava marcado para às 11:20 da manhã. Calculei mentalmente o tamanho da fila com os minutos que sobravam para o embarque. Fiquei tensa!

Fiquei conversando com a minha prima, que trabalha na CVC do Brasília Shopping. Mais de 10 anos que não a via. Um homem atrás de mim, super estressado, falava que a fila não andava, que ia perder o vôo. Aff! Mas imaginei que com tanta gente na fila indo também para o RJ, com certeza ia atrasar. Meu primeiro atraso. A saída de Palmas-BSB não atrasou nada. O vôo saiu 6h certinho.

Cheguei no topo. Aleluia!

Nome? Bond… James Bond! (brincadeira!!!)

Mostrei o papel que imprimi da internet e minha identidade. Quando a mulher olhou a ID, perguntou se eu tinha outro documento de identificação com uma foto nítida. Na hora olhei para a cara da minha prima (é que minutos antes ela me perguntou se a minha identidade estava em bom estado, e me contou que muitos clientes dela já tinham deixado de viajar porque a identidade não era legível).

Voltando, mostrei minha carteirinha da Unama (hahaha!). Ora bolas, não tenho Carteira de Habilitação e até parece que ando com a minha CTPS na bolsa. Fala sério! Não tinha outro documento com foto para mostrar. Meia-Passagem?!

Comecei a invocar na hora todos os santos que eu conhecia. A mulher me explicou que é preciso um documento legível em que se possa identificar a pessoa que está viajando.

(A minha ID era de 1998. Eu tinha 13 anos. Usava franjinha. Mas o problema nem era esse. O plástico dela tava soltando pelos lados, deixando o papel exposto. E num belo dia, no show-dilúvio do Natiruts no T-1, a bendita tava no meu bolso de trás da calça. Resumindo: molhou a foto começando de cima até a metade, ou seja, bem na minha cara mesmo e não tinha como me identificar).

A mocréia da mulher me disse que ia falar com a supervisora dela para ver se me liberava para viajar (a carteirinha da Unama foi junto). Falei para ela:

- Se ela não me liberar, eu vou ficar em BSB para sempre?! – olha o desespero da menina!

Comecei a rir de nervoso e tava quase fazendo um despacho ali mesmo, no balcão da GOL, invocando todos os santos, cabocos, preto-velho e o diabo que fosse!

Ela voltou. Tensão! Disse que a supervisora tinha liberado (ufa!), porém ainda corria risco de ser barrada na Infraero. E aí, a GOL não se responsabiliza mais. Que merda! A tensão voltou! Fiz o check-in e fiquei mirabolando planos. Liguei para mamãe. Nessas horas, a gente sempre corre para a mamãe né?! Contei o que tinha acontecido e meu pai iluminou a minha vida.

- Filha, liga pro Bob. Ele trabalha na Infraero aí no Aeroporto de Brasília.

Pô, como não tinha lembrado do Tio Bob? Tinha até saído de Belém com o número dele no meu celular. Fui no balcão da Infraero e pedi para chamá-lo.

- Quem deseja falar com ele? – perguntou a atendente.

- Uma amiga de Belém do Pará – disse eu.

Depois de um tempo, ele aparece. Caraca, a última vez que o Tio Bob me viu eu usava fralda ainda. Será que tem tempo?!

O Tio Bob é amigo do meu padrinho, irmão do meu pai, que foi comissário de bordo da Varig durante anos. É amigo da família. Contei a situação para ele.

- Pois é tio, aí tô correndo o risco de ficar em Brasília para sempre…

-Não, você vai para o Rio! – disse ele.

O meu sorriso reluziu o aeroporto todo. Trocamos telefone. Ele me disse para ligar para ele assim que embarcasse. Depois, subi para o terraço com a minha prima e fomos tomar um chá. Ah, o vôo atrasou, claro! O que era para sair 11:20h, só ia sair 13h.

Ficamos conversando. Aí no meu bilhete, a mocréia da mulher da GOL tinha me informado para me apresentar 12:50h para o embarque. Olhei o relógio, 12:30h. Chamei minha prima e fomos em direção à sala de embarque.

Quando penso que tudo tá bem, tranqüilo, olho no visor da televisão de embarques:

VÔO 1721 – EMBARQUE IMEDIATO! PORTÃO 1.

Sei lá que cor eu fiquei! Primeiro porque a mocréia me informou errado, tanto o horário do vôo como o número do portão, que era para ser o 5. Me despedi correndo da minha prima, agradeci a hospedagem e passei pela Infraero… (como assim, passou?!). Nem tive problemas na porra da Infraero. Saí correndo, com a bolsa de um lado, jaqueta de outro e tentando puxar a droga da calça que teimava em cair e aparecer meu rêgo. Ódio!

O aeroporto de BSB é muito gigante, até eu chegar, pensava, vou perder o avião! Senhor, só um milagre! Cheguei na entrada, desci pela sanfona, e… respirei! A porta do avião ainda estava aberta. Olhei meu bilhete e segui procurando o assento 15D. O avião tava lotado. Todos posicionados. Parece que só esperavam pela minha pessoa. Hahahaha! Fiquei até acanhada!

Sentei ao lado de um casal de senhores, que me deram um sorriso ao me sentar. Era assento no corredor, me lembro de ter escolhido na janela (caboquinha!) . Cheguei tão ofegante, que por um momento pensei que ia ter um treco.

Sentei, me arrumei. FASTEN YOUR SEAT BELT! Ok! Depois, me veio na cabeça: Será que tô no avião certo?! Comecei a me desesperar de novo! Saí tão avoada, correndo, que nem sabia se tinha entrado no portão certo. Tinha um monte de avião da Gol em solo, vai saber!

Tensão novamente! Comecei a rezar de novo! Só sosseguei quando o Comandante da aeronave informou que aquele era o Vôo 1721, saindo de Brasília com destino ao Rio de Janeiro.

Ai sim… os santos estavam em paz e eu pude viajar tranqüila, depois de tanta tensão.

 

P.S. – Os fatos aqui são todos verdadeiros, apesar de parecer invenção!

P.S.² - Eu comecei a escrever pensando numa outra história, porém foi saindo essa que vos conto acima. No próximo post, continuo com o que era para ser.