Enganam-se aqueles que acham que gostar de alguém é tão simples assim. O começo de um relacionamento é sempre uma tortura prazerosa, estressante e envolvente.
Visto sob o prisma de românticos, é algo maravilhoso, que te deixa nas nuvens, flutuando. Não deixa de ser verdade, principalmente quando você atende o telefone e é ele e você gagueja nas palavras, ou a timidez do olho no olho, o sorriso acanhado, o frio na barriga no primeiro beijo, a sensação de ser bem quista por alguém… tudo isso é bom demais de sentir!
Mas para quem já tem uma certa bagagem nas costas, sabe que outras coisas, não tão agradáveis, acontecem também, como ciuminho em vê-lo conversando com uma amiga, agonia porque ele ainda não te ligou, ansiedade para encontrá-lo depois de uma semana cheia, uma saudade desesperadora, uma briguinha boba…
Tudo isso é um mix de sensações e sentimentos dentro da sua cabeça e coração.
Ou melhor, um inferninho!
Depois ocorre aquela guerra interior entre coração e razão. Você quer ligar, mas sua cabeça diz que não, diz para você esperar ele te procurar. Quer vê-lo, mas tem medo do que ele pode pensar. Quer deixar um recado no orkut dizendo que está morrendo de saudade, mas e se ele não responder? Vê-lo entrando no msn, os dedos coçam, o coração bate, mas você se mantém inerte… com medo!
Você não quer parecer interessada demais, nem se envolver, quando no final das contas você se dá conta que já está envolvida por inteiro, porém só seu coração sabe. Você teima consigo, envia mensagens ambíguas para não acreditar que no fundo, no fundo, você já está gostando daquela pessoa.
Você começa a inventar fórmulas mirabolantes, ler textos apaixonados e melosos, ouvir músicas que lembrem vocês dois, passar por lugares e recordar que você já esteve lá com ele, conversar com amigos em comum e tentar descobrir alguma coisa sobre ele, apertar o F5 do orkut e ver se ele está online ou se te deixou um recado, olhar a foto dele no msn, querer falar e não conseguir, ver as chamadas dele no seu celular e contar os dias, horas e minutos em que vocês se falaram pela última vez, ler as mensagens de texto dele reiteradas vezes.. ufa!
E nessas horas, você se teletransporta para um episódio do Chapolim Colorado e se pergunta:
“Oh, e agora, quem poderá me defender? “
E, mesmo depois de tanta bagagem, você continua sem saber o que fazer numa situação dessas, porque se você párar para pensar, a situação pode ser parecida, porém as pessoas distintas, logo, você tem quer ter um feeling para lidar de novo com a mesma situação.
E isso que é o gostoso desse inferninho!