Estava eu aqui, no meu computador, abrindo e lendo meus e-mails. Abri a gaveta da mesa. Queria um pedaço de papel para fazer um teste que tinha recebido no meu e-mail. Nisso, me deparo com um caderninho bem familiar. Desses bem vagabundinhos, para anotar coisas triviais.
Deduzi na hora. Meu pai deve ter pego nas minhas tralhas espalhadas pelas gavetas da casa para fazer anotações. Revirei todas as páginas e não tinha nada escrito, exceto, a última.
Um versinho. De amor, claro!
Deveria ter uns 12 ou 13 anos quando o escrevi. Depois de uma risada marota, comecei a lê-lo:
Para alguém que um dia hei de descobrir… Este inferno de amar Ai, como eu amo! Amo o que me despreza Amo o que me evita Amo o que me odeia Amo o impossível O incorrigível O que não me ama O que não me beija O que não me abraça Amo todos os que não deveria amar Só não amo aquele Que fica alí no cantinho Me olhando Pedindo só uma chance para me amar.Risadas à parte, até que saiu bonitinho. Pra variar, deveria estar passando por mais uma desilusão amorosa, com direito a plágio de Almeida Garret e tudo!
Vai ver era na época que tinha aulas de Literatura, o qual tinha que ler vários poetas. Barroco. Arcadismo. Romantismo, em suas 3 gerações. Realismo. Modernismo. Era tanta coisa!
Dentre as escolas literárias, acho que meu versinho entraria no Romantismo da 2ª geração, os chamados “ultra-românticos”. Diz a história que esta escola recebeu influência dos ingleses e franceses, especialmente de Lord Byron e Musset e que se divulgou entre os estudantes de Direito da época (senti uma ligação!).
Os autores dessa época, segunda metade do século XIX, se deixaram impregnar pelo mal do século: eram jovens, boêmios, egocêntricos, pessimistas, cheios de desilusões e dúvidas. Viviam intensamente. Sonhavam demais. Ironizavam a vida e morriam cedo.
O amor dos ultra-românticos envolve atração e medo, desejo e culpa. Presença marcante também do amor platônico. Os autores mais conhecidos são: Álvares de Azevedo (meu preferido!), Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.
É, acho que me identifico com essa geração mesmo, tirando apenas o pessimismo e o egocentrismo. Ainda tô na idade, putz! Espero só não morrer cedo.
“Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
‘Foi poeta, sonhou e amou na vida!’”
(Álvares de Azevedo)
Tags: álvares de azevedo, lord byron, musset, romantismo 2ª geração, versos
Setembro 27, 2007 às 12:27 am |
Legal o blog heh
Outubro 27, 2007 às 8:18 pm |
Está muito belo o poema!
Fala de Amor! É sempre lindo….
Julho 18, 2008 às 12:40 am |
Sete vidas se eu tivesse
sete vidas eu daria para
salvar o meu amor sete vidas
eu morreria!
amar é criar um mundo novo,
transformar sonhos em realidade,
construir algo novo com uma nova
matéria-prima: os sentimentos.
Da minha realidade nasce a tristeza,
do meu coração nasce a incerteza sei
bem o que quero mas sei também que
não posso ter… Perdão
Tudo na vida tem um valor
até o vazio interiior que brota
no silêncio da tristeza de um
amor iludido e não correspondido!
No livro do destino minha vida
fui consultar e nele estava escrito
que eu nasci pra te amar.
No julgamento do amor um dia
serei julgada o crime que cometi
foi amar e não ser amada.
Quero a chave do teu peito
quero abrir quero entrar quero
ver quem esta ai dentro ocupando
o meu lugar!!!!
Fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!
Novembro 25, 2008 às 9:21 pm |
amar é sofrer
sofrer doi de ++
meu amor por vc
cada dia aumenta +++